Lixo em Aparecida: quando a culpa não cabe aos hoteleiros nem aos romeiros
As recentes declarações do vereador André Monteiro, de Aparecida (SP), atribuindo a responsabilidade pelo acúmulo de lixo na cidade a hoteleiros, restaurantes e visitantes, têm provocado indignação e uma série de questionamentos da população.
A crítica, no entanto, esbarra em um ponto central: e nos bairros onde não há hotéis, restaurantes ou fluxo de romeiros, de quem é a culpa?
Um exemplo citado por moradores é a região do São Francisco, onde não existe turismo religioso intenso, nem grandes estabelecimentos comerciais ligados ao setor. Ainda assim, o cenário é o mesmo: ruas sujas, lixo acumulado e sensação de abandono por parte do poder público.
Isso levanta uma pergunta inevitável:
Se não há romeiros, nem hotéis, nem restaurantes, quem está falhando?
A responsabilidade pela limpeza urbana é, constitucionalmente e legalmente, do município. Cabe à Prefeitura municipal de Aparecida planejar, executar e fiscalizar os serviços de coleta, varrição e destinação adequada dos resíduos sólidos. Transferir essa obrigação para comerciantes ou visitantes pode soar como uma tentativa de desviar o foco do problema real: a falta de gestão eficiente.
Moradores e críticos apontam ainda uma preocupação maior. Para eles, o sucateamento do serviço público de limpeza parece abrir caminho para um discurso já conhecido:
criar o problema para vender a solução.
A terceirização do serviço de limpeza urbana, defendida por alguns setores, levanta suspeitas quando surge em meio ao caos instalado. “Estão deixando a cidade virar um lixão para depois justificar contratos milionários e encher bolsos”, é o que dizem comentários que circulam nas redes sociais.
Aparecida, cidade que recebe milhões de fiéis todos os anos e tem importância nacional, não pode normalizar o descaso nem empurrar responsabilidades para quem não tem poder de decisão. O cidadão paga impostos e espera retorno em serviços básicos, como ruas limpas e saúde pública preservada.
O debate é legítimo, mas precisa ser honesto.
A culpa pelo lixo não é do romeiro, não é do comerciante e muito menos do morador.
A culpa é de quem governa e não resolve.

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