Transporte público Guaratinguetá: quando o subsídio vira jogo sujo
Não é o aumento do subsídio que escandaliza.
É o silêncio que o acompanha.
Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Guaratinguetá decidiu ampliar em 56% o valor mensal repassado à concessionária do transporte público. O subsídio saltou de R$ 372 mil para R$ 581 mil por mês, empurrando o custo anual para perto de R$ 7 milhões. Dinheiro público. Do contribuinte. De todos.
A pergunta óbvia é: por quê?
Quando o gasto cresce mais de 50% e a transparência não acompanha, o que se instala não é política pública — é desconfiança institucional.
O argumento de “evitar aumento da tarifa” já não basta. Subsídio não é cheque em branco. É contrato social. E contrato social exige contrapartida visível, mensurável e fiscalizada. Caso contrário, o poder público assume o risco financeiro enquanto o cidadão segue pagando duas vezes: no imposto e no desconforto diário.
Ônibus lotados, horários instáveis e frota envelhecida não combinam com um subsídio milionário em expansão. Se o sistema custa mais, ele precisa entregar mais. Se não entrega, alguém está sendo beneficiado — e certamente não é o usuário.
O que se vê, mais uma vez, é um roteiro conhecido: decisões tomadas longe do debate público, justificadas depois com linguagem técnica e blindadas pelo cansaço do cidadão. É assim que o jogo sujo se normaliza — não pela ilegalidade explícita, mas pela opacidade calculada.
A Prefeitura precisa entender algo básico: dinheiro público não se administra no escuro. E quando a luz não é acesa voluntariamente, a imprensa, os órgãos de controle e a sociedade têm o dever de forçar o interruptor.
Transporte coletivo é serviço essencial. Justamente por isso, não pode ser tratado como caixa-preta administrativa.
Quando o subsídio cresce e as explicações não aparecem, o problema não é contábil.
É político.
E é grave.
FONTE/CRÉDITOS: Jornal Vale Metropolitana
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